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25 de Outubro de 2021

Advertência e Conscientização quando ao uso de drogas

Monique Barbisan, Estudante de Direito
Publicado por Monique Barbisan
há 2 anos

Resumo

Atualmente, os adolescentes estão entre os principais usuários de drogas. Grande parte dos jovens brasileiros entre 16 e 18 anos consomem maconha. Em 2001, cresce o uso de crack e drogas sintéticas, como o ecstasy. Mas são os consumidores de cocaína que mais procuram tratamento para se livrar da dependência , o qual é feito por meio de psicoterapias que promovem a abstinência às drogas e do uso de antidepressivos.

Um fator importante é a formação que cada um deve receber enquanto ser humano. Esse é um dos principais motivos de jovens do mundo inteiro recorrerem as drogas, o fato de se sentirem sozinhos ou perdidos, sem muitas experiências de vida e sem boas referencias para descobrirem que caminho querem seguir, mais principalmente pela desassistência dos pais, que somente após o filho se envolverem com drogas é que eles se mostram preocupados.

Palavras-chave: Uso de Drogas na adolescência, Trauma na infância, Aspectos concentuais no uso de substancias ilicítas.

Introdução

O uso de drogas é um fenômeno bastante antigo na história da humanidade e constitui um grave problema de saúde pública, com sérias consequências pessoais e sociais no futuro dos jovens e de toda a sociedade.

A adolescência é um momento especial na vida do indivíduo. Nessa etapa, o jovem não aceita orientações, pois está testando a possibilidade de ser adulto, de ter poder e controle sobre si mesmo. É um momento de diferenciação em que "naturalmente" afasta-se da família e adere ao seu grupo de iguais. Se esse grupo estiver experimentalmente usando drogas, o pressiona a usar também. Ao entrar em contato com drogas nesse período de maior vulnerabilidade, expõe-se também a muitos riscos. O encontro do adolescente com a droga é um fenômeno muito mais freqüente do que se pensa e, por sua complexidade, difícil de ser abordado.

1. Fatores de risco e de proteção para o uso de drogas na adolescência:

A adolescência constitui um período crucial no ciclo vital para o início do uso de drogas, seja como mera experimentação, ou como consumo ocasional, indevido ou abusivo. Fatores como, relações familiares saudáveis desde o nascimento da criança, servem como proteção para toda a vida e, de forma muito particular, para o adolescente.

Artigo publicado na revista Ciência e Saúde Coletiva discutiu a prevenção ao uso indevido de drogas por adolescentes. Foram analisados os fatores de risco e os fatores de proteção, conceitos que servem de base para o diálogo com os diferentes contextos sociais como a família, os amigos, a escola, a comunidade e a mídia. O estudo privilegiou a discussão da prevenção, lembrando que a utilização das drogas lícitas e ilícitas permeia a cultura da adolescência à velhice e, no caso do Brasil, notadamente por meio do consumo de álcool, tabaco e maconha. Buscou-se, portanto, realizar uma discussão do contexto familiar e outros ambientes importantes para a prevenção do uso indevido de drogas, como grupo de amigos, escola, comunidade e a mídia.

A elaboração do artigo foi precedida de pesquisas em bases de dados da Internet, e de outros textos requisitados diretamente aos autores, entre os anos de 1995 e 2003, a partir das palavras-chave: adolescência, fatores de risco, fatores de proteção, uso de drogas e prevenção. 67 textos de referência foram analisados, comparados e avaliados na íntegra, dentro do estudo. O foco da análise se deteve nas relações intrafamiliares e interpessoais, contextualizadas sociocultural mente.

Os resultados encontraram alguns aspectos importantes:

(1) Quanto mais intenso o uso de drogas, mais fatores de risco existem. Por outro lado, vários estudos mostraram que o perigo difere de acordo com os indivíduos e seu contexto.

(2) Um segundo aspecto considerado se referiu à atitude positiva da família com relação ao uso de drogas, reforçando a iniciação dos jovens. Fatores parentais de risco para o uso de drogas pelo adolescente incluem, de forma combinada: ausência de investimento nos vínculos que unem pais e filhos, envolvimento materno insuficiente, práticas disciplinares inconsistentes ou coercitivas, excessiva permissividade, dificuldades de estabelecer limites aos comportamentos infantis e juvenis, tendência à superproteção, educação autoritária associada a pouco zelo e pouca afetividade nas relações, aprovação do uso de drogas pelos pais, etc.

(3) O envolvimento com amigos também tem sido visto como um dos maiores prenúncios do uso de substâncias. No entanto, nesse caso, a questão também não pode ser vista de forma simplista, pois o desenvolvimento de afiliações a amigos tolerantes e que aprovam as drogas representa o final de um processo onde fatores individuais, familiares e sociais adversos se combinam de forma a aumentar a probabilidade do uso abusivo.

(4) Muito se encontrou também sobre o papel da escola, seja como agente transformador, seja como local propiciador do ambiente que exacerba as condições para o uso de drogas. No âmbito educacional, existem fatores específicos que predispõem os adolescentes ao uso de drogas, como por exemplo, a falta de motivação para os estudos, o absenteísmo, o mau desempenho escolar, a intensa vontade de ser independente, a busca de novidade a qualquer preço, a rebeldia constante, etc.

(5) A disponibilidade e a presença de drogas na comunidade de convivência têm sido vistas como outros fatores de risco do uso de drogas por adolescentes, uma vez que o excesso de oferta naturaliza o acesso.

(6) Por último, se fala do papel da mídia como fator de risco. É certo que, sobretudo no caso das drogas lícitas, os meios de comunicação geralmente mostram imagens muito favoráveis. Mas não se pode demonizar a mídia: ela reflete a cultura vigente, e é um erro menosprezar a capacidade crítica dos jovens. Nenhuma propaganda por si só atinge efeito demoníaco de persuasão, quando fatores protetores atuam em direção contrária. O desenvolvimento de um espírito crítico e reflexivo na família, na escola e com os amigos serve de base para uma atitude criteriosa do adolescente quanto às mensagens relativas às drogas lícitas, veiculadas pelos meios de comunicação.

De acordo com os resultados encontrados, o estudo pôde concluir que as variáveis analisadas refletem tanto fatores de risco quanto de proteção, dependendo do modo como são vistas e trabalhadas. Analisando esses dois conceitos (proteção e risco), o estudo concluiu ainda que o uso de drogas é uma questão complexa que perpassa inúmeros subsistemas da vida individual e social. As representações sociais que levam à adesão ou à condenação dependem do contexto sociocultural. Os constrangimentos impostos numa determinada cultura são diversos em outras.

A problemática não se reduz ao contexto familiar. O indivíduo, inserido numa rede de relações, vive no contexto sociocultural e histórico. Mas a família tem um papel crucial: quando cuidadora, afetiva, amorosa e comunicativa, possui mais chances de promover condições de possibilidades para o desenvolvimento saudável dos filhos. Por isso, os programas de prevenção de uso de drogas precisam prever aplicações práticas de orientação familiar. A prevenção do abuso de drogas deve ser sinônimo de vida saudável, empreendimento tão importante para os jovens que deve incluir a família, a escola, o grupo de amigos, a comunidade e a mídia.

Promover um crescimento e desenvolvimento saudáveis, maior igualdade social e de oportunidades, atuar contra a pobreza e o racismo, voltar-se para o desenvolvimento do protagonismo juvenil são propostas que convergem para o cumprimento do Estatuto da Criança e do AdolescenteECA, e a favor da democracia.

2. Uso de drogas está relacionado a traumas na infância:

O 1º Seminário Estadual de Políticas Públicas sobre Drogas, realizado ontem na Assembleia Legislativa e promovido pela Secretaria da Justiça e dos Direitos Humanos do Estado (SJDH), trouxe para o debate diversos especialistas que atuam no combate às drogas. O psiquiatra Félix Kessler, vice-diretor do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs), apresentou dados de um estudo que está sendo elaborado pela instituição, o qual revela o perfil dos usuários. De acordo com o psiquiatra, a maioria dos dependentes, principalmente de crack, são pessoas que sofreram muito na infância, já tendo passado por traumas graves, como abuso emocional, sexual e físico e negligência afetiva por parte dos pais.

“Não são todos os indivíduos que têm estrutura para superar o problema. Ninguém usa crack por acaso. Outra característica constatada é que normalmente estes jovens já apresentam traços antissociais desde criança”, explica. Kessler acredita que esses adolescentes, que já possuem transtornos mentais, são os que precisam ser observados pelos familiares, pois correm mais risco de se tornarem usuários de drogas.

O palestrante relata que, entre os anos de 2001 e 2005, o número de usuários de crack dobrou e que, de 2005 até 2012, deve ter dobrado novamente. A ação da droga no cérebro é imediata, sendo eliminada a cada cinco ou dez minutos. Por esse motivo, é difícil ver casos de overdose por essa droga de efeito rápido. Um dos grandes problemas trazidos tanto pelo crack quanto pela cocaína é que elas agem no local do cérebro responsável pelas decisões do indivíduo, torna-os impulsivos. “Quando essa pessoa está com vontade de consumir o entorpecente, ela se torna animalesca, parecendo um animal selvagem com fome”, relata.

Além das decisões, segundo o psiquiatra, outros campos do cérebro são afetados, como a razão e a memória, o que torna o comportamento desorganizado. As sequelas do uso de drogas são ainda mais fortes em um cérebro infantil, porque a criança acaba se desenvolvendo com traços impulsivos.

O palestrante alerta que não é apenas o crack que modifica as condições cerebrais do indivíduo. A cocaína também quebra a capacidade mental, fazendo com que esta pessoa perca a vontade de realizar tarefas mais difíceis, como estudar e trabalhar. Outro fator prejudicial é o consumo de entorpecentes na gravidez, que causa no bebê danos no crescimento e na sua função cognitiva.

Para reverter a situação crescente de usuários, Kessler acredita que é preciso focar principalmente na prevenção. “Quando esta pessoa já está dependente, os tratamentos tem baixa adesão. Cerca de 20% dos que procuram tratamento continuam depois de oito meses.”

Outro dado preocupante do estudo é o índice de mortalidade dos dependentes de crack. “Em cinco anos, cerca de 20% morrem. Em 12 anos, esse índice aumenta para 25%”, diz. A morte destes usuários é consequência principalmente da criminalidade que envolve o consumo do crack. Mais de 50% deles são vítimas de homicídio. Além disso, o gasto mensal de um consumidor é em torno de R$ 426,00. “Prefiro não dizer que existe uma epidemia de crack porque o número de dependentes de álcool é dez vezes maior. No entanto, se comparado a outras drogas, o crack é o que mais leva para a criminalidade”, completa.

2.1 Delegado critica sistema que ‘facilita’ vida dos traficantes

Durante o evento, foi realizada uma mesa de debate para discutir com autoridades tanto os meios de tratamento quanto as formas de repressão. Heliomar Franco, delegado do Departamento Estadual de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), explicou que o trabalho realizado pelo órgão é muitas vezes cansativo, pois o sistema prisional, em sua opinião, está falido. De acordo com ele, os policiais são destinados para operações perigosas que demandam longos meses de investigação. “Quando prendemos os traficantes, já sabemos que em breve eles estarão nas ruas novamente e que teremos de refazer todo o trabalho”, explica.

Franco compara o sistema prisional ao sistema de tratamento de drogas, no qual o dependente, depois da internação, volta para as ruas para consumir os entorpecentes. Desde maio do ano passado, o Denarc tem realizado uma operação de combate ao narcotráfico ao redor das escolas.

Segundo o delegado, as crianças e jovens precisam de uma proteção mais forte por parte do Estado. “Nos aproximamos de forma discreta das escolas e começamos a separar os estudantes dos traficantes”. Um dos problemas enfrentados pelo departamento é que muitos vendedores de drogas estão todos os dias nos colégios, com quantidades pequenas. Ao serem abordados, afirmam que são usuários. “Não podemos deixá-los acabar com o futuro destes jovens”, ressalta Franco.

Já o juiz Marco Aurélio Xavier, do Juizado Especial Criminal, relatou as implicações que o consumo de drogas tem na Justiça. “O Judiciário se dedica muito para o trabalho em prol da recuperação dos indivíduos, da prevenção e da repressão ao tráfico. A droga é um grande problema social”, diz. O juiz relata que em muitas audiências da Vara de Família, os pais, que são dependentes de entorpecentes, brigam pela guarda do filho. No entanto, a criança acaba ficando com outros familiares até que os pais comprovem que fizeram o tratamento.

2.2 Pelo menos 5% da população mundial já usou substâncias ilícitas

O Relatório Mundial sobre Drogas 2012, divulgado ontem pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (Unodc), revela que cerca de 230 milhões de pessoas usaram alguma droga ilícita pelo menos uma vez em 2010. Esse número representa 5% da população mundial adulta, com idade entre 15 e 64 anos. Uma em cada 100 mortes entre adultos é atribuída ao uso de drogas ilícitas.

A maconha e os estimulantes do tipo anfetaminas são as drogas mais usadas no mundo. Já o consumo de cocaína ficou estável, com o número de usuários estimado entre 13,3 milhões e 19,7 milhões em 2010. As Américas do Norte e do Sul e as Europas Central e Ocidental ainda são os principais mercados de cocaína. Nos Estados Unidos, o consumo dessa droga diminuiu, passando de 3% em 2006 para 2,2% em 2010. De acordo com o Unodc, isso pode estar relacionado com o declínio de 47% na fabricação de cocaína na Colômbia.

Em algumas nações sul-americanas, incluindo o Brasil, o uso da cocaína aumentou a partir da década de 1990 até 2005. Segundo o relatório, as apreensões federais no País triplicaram desde 2004, atingindo 27 toneladas em 2010.

3. Drogas – Aspectos Conceituais

Em uma definição mais simples pode-se dizer que as drogas são substâncias consumidas em sua forma natural ou não, cujo efeito consiste na mudança do funcionamento do organismo e, na maioria dos casos, aptamente prejudiciais.

Porém, nem todas as drogas são ilícitas, existem aquelas cujo uso é liberado, como é o caso do álcool e do cigarro, e que nem por isso deixam de ser prejudiciais.

Vale lembrar que as drogas lícitas têm a venda proibida para menores de idade, contudo, tal proibição não inibe o seu uso por um número cada vez maior de jovens e adolescentes.

3.1 Drogas Lícitas

As drogas lícitas são aquelas legalizadas, produzidas e comercializadas livremente e que são aceitas pela sociedade. Os dois principais exemplos de drogas lícitas na nossa sociedade são o cigarro e o álcool.

É importante mencionar que o fato de algumas drogas serem liberadas para venda e consumo, não quer dizer que estas não sejam prejudiciais, principalmente para jovens e adolescentes, pois embora sua venda seja proibida para menores de idade, não existe uma medida de controle rigorosa que os impeçam de consumi-las.

Conforme comenta Scivoletto:

Observa-se aqui que o fato de serem liberadas não significa que não tenham algum tipo de controle governamental bem como não provoquem algum prejuízo à saúde mental, física e social. Isto dependerá de múltiplos fatores tais como quantidade, qualidade e freqüência de uso (1997, p. 14).

Mas não é somente o álcool e o cigarro que são drogas prejudiciais, existem aquelas de origem farmacológica que também são muito utilizadas. Os remédios indicados para reduzir a ansiedade ou induzir o sono, os descongestionantes nasais, os anorexígenos (medicamentos utilizados para reduzir o apetite e controlar o peso), e os anabolizantes (hormônios usados para aumentar a massa muscular), são exemplos de drogas desse tipo.

Todas essas substancias mencionadas são drogas lícitas que tem causado grandes prejuízos aos adolescentes, resultando em sérios danos físicos, psicológicos e, até mesmo em morte.

3.2 Drogas Ilícitas, Formas e Consequências.

Ao contrário das drogas lícitas, as ilícitas são aquelas que não são legalizadas, ou seja, sua produção e consumo são proibidos no Brasil. Em alguns países, determinadas drogas são permitidas sendo que seu uso é considerado normal e integrante da cultura. Tais substâncias podem ser estimulantes, depressivas ou perturbadoras do sistema nervoso central, o que perceptivelmente altera em grande escala o organismo.

Dentre as drogas ilícitas mais comuns podemos citar a Cocaína, o Ecstasy, a Heroína, Inalantes e a maconha, aos quais veremos a seguir:

3.3 Cocaína

A cocaína é uma droga que causa dependência imediata de modo que a pessoa que a consome, para deixar de consumi-la, deve ter bastante força de vontade e submeter-se a tratamentos.

Os riscos que a pessoa ao consumir cocaína se submete, independem da forma como ela é usada, seja por inalação, injeção ou fumo. Sendo que se esta substância for fumada, o indivíduo se torna dependente com maior facilidade.

Conforme Scivoletto:

Os efeitos físicos do uso da cocaína incluem uma constrição nos vasos periféricos, dilatação das pupilas, e aumento da temperatura, freqüência cardíaca e pressão arterial. A duração dos efeitos eufóricos imediatos da cocaína, que incluem hiperestimulação, redução do cansaço e clareza mental, depende da via de administração. Quanto maior a absorção, maior a intensidade dos efeitos (2011, p. 02).

Mas o maior problema reside no fato de que o organismo possui tolerância, e, portanto, ele adquire maior necessidade de consumir mais e mais drogas.

Existe um grande risco do usuário morrer mesmo que seja a primeira vez que administre a droga. Além do risco de morte, o usuário dessa droga tem sérias conseqüências de cunho social e de relacionamento, sobretudo com a família que geralmente desaprova o seu uso. A sociedade acaba também por se prejudicar, uma vez que os dependentes perdem o emprego, ou no caso dos adolescentes, afastam-se dos estudos e tendem a se tornarem marginais, pois precisam roubar para sustentar o vício e, em casos mais graves, o indivíduo é capaz até mesmo de matar.

Scivoletto diz ainda que:

Evidências científicas sugerem que as propriedades do poderoso envolvimento neuropsicológico da cocaína é responsável pelo seu uso contínuo, mesmo com as conseqüências físicas e sociais danosas. Existe o risco de morte súbita mesmo no primeiro uso da cocaína ou de forma inesperada após o seu uso. Entretanto, não há como determinar quem tem propensão para morte súbita (2011, p. 06).

Sendo ainda que altas doses de cocaína e o uso prolongado pode desencadear paranóia. E as pessoas dependentes ao interromper o uso da droga, freqüentemente apresentam depressão.

3.4 Ecstasy

O ecstasy é uma droga poderosíssima que pode ser utilizada tanto na forma de pílula, como também por inalação e injeção. É uma droga sintética e psicoativa com propriedades estimulantes e alucinógenas, é também conhecida como ecstasy e droga do amor.

Primariamente usada em boates e raves, está sendo cada vez mais usada em vários outros círculos sociais. Seu uso exagerado pode causar hipotermia, provocando ainda, insuficiência dos rins e cardiovascular, além de lesão cerebral, afetando também os neurônios.

Heroína

A Heroína também é um tipo de droga que leva o usuário facilmente a dependência. É feita de morfina em forma de pó branco ou marrom.

O uso continuado de heroína causa graves problemas físicos, morte, aborto em mulheres grávidas em qualquer período da gestação, doenças tais como AIDS e hepatite. Malbergier diz que:

Além dos próprios efeitos da heroína, a droga pode conter aditivos que não se dissolvem bem e resulta em obstrução dos vasos sanguíneos dos pulmões, fígado, rins ou cérebro. Isso causa infecção ou mesmo a morte de parte desses órgãos vitais (2001, p. 22).

3.5 Maconha

A maconha, principalmente por ser legalizada em muito países, é uma droga que os jovens costumam acreditar não causar grandes prejuízos à saúde, contudo, normalmente aqueles que usam drogas ditas “pesadas” começaram com o consumo da maconha.

Ela tem como principal composto químico o THC sendo ele o responsável pelos efeitos da maconha no sistema nervoso. Quando fumada, a substância passa diretamente dos pulmões para a corrente sanguínea que o leva diretamente para todo o organismo e cérebro.

É importante mencionar que a maconha traz grandes riscos à saúde dos usuários, pois causam deficiência na memória e no aprendizado, perda da coordenação, e aumento da freqüência cardíaca. Segundo Gomid:

Alguns efeitos adversos na saúde causados pela maconha podem ocorrer devido o THC prejudicar a habilidade do sistema imune de lutar contra infecções e câncer. Depressão, ansiedade, e distúrbios da personalidade também estão associados com o uso da maconha. Devido ao efeito prejudicial na habilidade de aprendizado e memória, quanto mais a pessoa abusa da maconha, mais propensa ela será de ter um declínio de suas atividades intelectuais, de trabalho e sociais. Dentre as conseqüências que as drogas ilícitas trazem pode-se dar ênfase à violência gerada por elas em todas as fases de produção até o consumidor final. As demais conseqüências são: arritmia cardíaca, trombose, AVC, necrose cerebral, insuficiência renal e cardíaca, depressão, disforia, alterações nas funções motoras, perda de memória, disfunções no sistema reprodutor e respiratório, câncer, espinhas, convulsões, desidratação, náuseas e exaustão (2004, p. 21).

É importante esclarecer que a dependência das drogas é tratável, ou seja, através do auxílio médico e familiar uma pessoa pode deixar o vício e voltar a ter uma vida normal sem que necessite ingerir substâncias que criam falsas necessidades no organismo.

4. Drogas – Classificação

As drogas podem ser classificadas de acordo com a ação que exercem sobre o sistema nervoso central. Elas podem ser depressoras, estimulantes, perturbadoras ou, ainda, combinar mais de um efeito.

4.1 Depressoras

As drogas depressoras são substâncias que diminuem a atividade cerebral, deixando os estímulos nervosos mais lentos. Fazem parte desse grupo o álcool, os tranqüilizantes, o ópio (extraído da planta Papoula somniferum) e seus derivados, como a morfina e a heroína.

4.2 Estimulantes

As drogas com efeito estimulante aumentam a atividade cerebral, deixando os estímulos nervosos mais rápidos. Excitam especialmente a área sensorial e motora.

A anfetamina, a cocaína (produzida das folhas da planta da coca, Erytroxylum coca) e seus derivados, como o crack, fazem parte desse grupo.

4.3 Perturbadoras

As drogas perturbadoras são substâncias que fazem o cérebro funcionar de uma maneira diferente, muitas vezes com efeito alucinógeno. Não alteram a velocidade dos estímulos cerebrais, mas causam perturbações na mente do usuário. Incluem a maconha, o haxixe (produzidos da planta Cannabis sativa), os solventes orgânicos (como a cola de sapateiro) e o LSD (ácido lisérgico).

4.4 Drogas com Efeito Misto

Esse tipo de droga combinam dois ou mais efeitos. A mais conhecida desse grupo é o ecstasy, metileno dioxi-metanfetamina (MDMA), que produz uma sensação ao mesmo tempo estimulante e alucinógena.

5. Uso de Drogas na Adolescência e as Relações Familiares

Levando em consideração que não se deve generalizar as situações, é percebido que muitos jovens e adolescentes que se envolvem com o mundo das drogas, geralmente não tem uma relação aberta e de amizade com seus familiares.

Isso não tem nada a ver com maus tratos e nem com falta de amor, mas sim, pela falta de tempo dos pais para se dedicarem a conversar e estreitar os laços com os filhos e esse fato faz com que os mesmos procurem amizades que os levam a usar drogas ou ter comportamentos que não condizem com a vontade dos pais.

Ao ler obras escritas por Piaget, temos a certeza de que o convívio, o amor e a atenção dos familiares, é indispensável para que os adolescentes se mantenham afastados das drogas.

É comum se ouvir, que a educação vem de berço, portanto é necessário compreender que a educação não começa somente após a criança aprender falar, e sim desde o momento em que nasce, pois mesmo que estas não saibam manifestar ou expressar de forma clara os seus sentimentos, já é possível perceber os sinais de inteligência, desde os primeiros meses de vida.

Ao sugerir uma meditação sobre a família como agente fundamental na formação do ser humano, constata-se que é trabalho primordial tanto dos pais, como também dos educadores o trabalho de transformar uma criança imatura em cidadão maduro, participativo, atuante e consciente de seus deveres e direitos. Pois para que este ser em desenvolvimento seja futuramente um cidadão com essas qualidades ele deve espelhar-se em indivíduos que também retenham esses predicados.

Conforme Oliveira:

Tudo que os pais fazem desperta certa curiosidade na criança. Se o pai está fazendo ginástica a criança quer tentar também, quando a mãe está passando creme a criança quer passar também, se a mãe está cozinhando ela quer cozinhar também (2004, p. 17).

Ou seja, os filhos espelham-se nos pais, de modo que os pais devem ter condutas e atitudes que os filhos possam seguir sem ter o seu futuro comprometido.

O autor segue dizendo que:

Em relação ao álcool tanto quanto nos demais aspectos, o principal é que os pais observem os filhos, saibam o que estão fazendo e onde estão indo. O controle absoluto é impossível e também, creio, não recomendado. O que não pode é os pais ficarem alheios ao cotidiano dos filhos, de modo a sequer perceberem quando, reiteradamente, chegam em casa embriagados. Acredito que a orientação quanto aos riscos, o diálogo, o exemplo e uma intervenção enérgica quando necessária sejam a melhor estratégia para os pais inibirem a compra e o consumo de bebidas alcoólicas pelos filhos. Creio também equivocadas campanhas que superestimem os danos, e operem na base do amedrontamento, já que o discurso do ‘terror’ parece ineficaz para adolescentes (2004, p 18).

Nessa expectativa, a família deve aproveitar ao máximo as possibilidades de estreitamento de relações, porque o ajuste entre ambas e a união de esforços para a educação das crianças e adolescentes deve ser considerado como elemento facilitador de aprendizagens e de formação pessoal.

Dessa forma, sugere-se que a sociedade sinta-se desafiada a repensar sobre a situação dos adolescentes hoje, considerando que eles apresentam características únicas e individuais e por isso se faz necessário manter um trabalho em parceria com as famílias.

As crianças e os adolescentes vão começar a agir de acordo com o que lhes for imposto pelos pais, desde se alimentar nas horas certas, ter hora para dormir, entre outras coisas do cotidiano. Ao longo do tempo, as atitudes e os ensinamentos dos pais os ajudaram na sua formação moral e ética. Piaget compara o desenvolvimento psíquico ao orgânico em busca do equilíbrio:

A mesma maneira que um corpo está em evolução até atingir um nível relativamente estável – caracterizado pela conclusão do crescimento e pela maturidade dos órgãos, também a vida mental pode ser concebida como evoluindo na direção de uma forma de equilíbrio final, representada pelo espírito adulto (1999, p.13).

Para o autor, esta forma de desenvolvimento é explicada pelo amadurecimento dos indivíduos, afirmando que o desenvolvimento humano é variável devido às transformações que cada pessoa sofre, tanto externa como interna, e na fase adolescente essas mudanças são mais intensas fazendo com que os jovens estejam em constante busca pelo reajustamento e o equilíbrio, podendo, nestas circunstancias, buscar sua identidade junto aos amigos que nem sempre são boas influências para eles. Para Caldeira:

A droga aparece como um atrativo para o adolescente que pode estar vivenciando uma relação conflituosa com a família, ou estar sofrendo influência da própria família ou do grupo de amigos. Quando a droga surge, os conflitos sofridos na adolescência se atenuam e são sentidos na família, causando um abalo na estrutura familiar. Isso ficou claro em nossa pesquisa na qual os familiares declararam que ao tomarem conhecimento de que o filho fazia uso de drogas psicoativas, o primeiro sentimento foi de revolta. E da revolta vieram às agressões físicas e verbais (1999, p. 6).

São nesses momentos que o grupo de amigos passa a ter bastante importância na vida do jovem, o qual se constitui um espaço de semelhantes, onde se discute o mesmo assunto, enfim, um espaço em que eles se encontram e se entendem. De acordo com os autores utilizados no decorrer deste estudo, a adolescência é uma fase de constantes curiosidades, onde o jovem sente vontade de experimentar coisas novas, de conhecer o mundo. E é nesse desejo por experimentar que ele vai ao encontro das drogas.

6. O Uso de Álcool na Adolescência

É bastante freqüente se presenciar jovens ingerindo bebidas alcoólicas como se estivessem tomando um refrigerante, ou seja, o fato de ser proibido, não inibe nem a venda e nem o consumo.

Esse fato se deve a diversos fatores, dentre eles, os mais comuns é a impunidade daqueles que vendem a bebida, a permissividade e a falta de autoridade dos pais, a influência de amigos e, muitas vezes a influência dos próprios familiares que bebem, ou são dependentes do álcool. Nas palavras de Cavalcante:

Fatores sociais, psicológicos e religiosos, bem como problemas temporários podem influenciar a decisão de beber tanto no adolescente quanto no adulto jovem. Dada a alta taxa de prevalência de indivíduos que, por qualquer motivo, num momento ou outro da vida fizeram uso de álcool, torna o beber um fenômeno praticamente universal. Entretanto, fatores que podem influenciar a decisão de beber ou fatores que contribuem para problemas temporários, podem ser diferentes daqueles que contribuem para os problemas recorrentes e graves da dependência de álcool (1997, p. 22).

Embora não se deva desprezar os fatores genéticos e emocionais que influem no consumo da bebida, para algumas pessoas, o álcool reduz o nível de ansiedade e normalmente estas estão mais propensas a desenvolver alcoolismo, assim, como através da pressão do grupo de amigos, do sentimento de onipotência próprio da juventude, o custo baixo da bebida, a falta de controle na oferta e consumo dos produtos que contêm álcool e a ausência de limites sociais colaboram para que o primeiro contato com a bebida ocorra cada vez mais cedo.

É inclusive bastante comum esse problema começar em casa, com a hesitação paterna na hora de permitir ou não que o adolescente faça uso do álcool ou com o mau exemplo que alguns pais dão ao beberem na presença dos filhos.

Não se pode esquecer de que, em qualquer quantidade, o álcool é uma substância tóxica e que o metabolismo das pessoas mais jovens faz com que seus efeitos sejam potencializados. É válido lembrar também que ele é responsável pelo aumento do número de acidentes e atos de violência, muitos deles fatais, a que se expõem os usuários.

Proibir apenas que os adolescentes bebam não adianta. É preciso conversar com eles, expor-lhes a preocupação com sua saúde e segurança e deixar claro que não há acordo possível quanto ao uso e abuso do álcool, dentro ou fora de casa.

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